sábado, 28 de março de 2015

Aspectos antropológicos e culturais (italianos)


Aspectos antropológicos e culturais

                                      Silvino Santin

O autor, Frei Paulino (Aquiles Bernardi) traçou o perfil antropológico-cultural dos imigrantes. É verdade, não foi este o objetivo do escritor; todos sabem. Fica claro também que Naneto é um anti-herói sui generis. Ele tem tudo para ser um fracasso total. Seu nascimento se dá em on dí de luna calente, um tipo de certidão do indivíduo sem futuro. Sua biografia é pontuada por sucessivas trapalhadas. Mas o que torna esse anti-herói encantador é sua capacidade de reagir, de recuperar-se; após cada confusão, aparece ele alegre, festivo e triunfante, como se nada tivesse acontecido. Os insucessos não o abatem. Ele revive e retorna confiante o seu caminho (isto é, de todo o imigrante) em busca da cucagna. E só não toma posse de sua meia-colônia, a que tinha direito adquirido, porque foi condenado à morte por razões alheias a sua biografia e à vontade do autor.

Breve Glossário de Termos Técnicos


Breve Glossário de Termos Técnicos

 Aglutinação - fusão de dois elementos lexicais numa única palavra; Ponte e alto formam Pontalto (ponte alta).

 Antropônimo – nome próprio de pessoa e também sobrenome, embora se costume usá-lo mais comumente com a primeira acepção.

 Apelativo – qualquer tipo de vocábulo usado para designar uma pessoa, podendo ser nome, apelido, cognome.

 Cognome – épiteto nominal, apelido.

 Étnico – vocábulo que indica que um cidadão pertence a uma raça. A uma etnia, a um povo, como alemão francês, italiano.

 Gentilico – designativo dos habitantes de um país, de uamregião, de uma cidade, como Italiano, Lombardi, Milanese, Napolitano.

 Hipocorístico – forma abreviada ou modificada, de cunho popular e coloquial, de um nome; de Antônio, se formam os hipocorísticos Tonho, Toni, Toninho.

 Fitônimo – nome de palanta como olmo(olmeiro) vigna (videira).

 Hagiônimo – nome de santo, como Santo André, São Paulo, São Pedro.

 Hagionímico – sobrenome derivado de nome de santo, como Andreis, Petri, Pauli.

 Matronímico – sobrenome derivado deo nome da mãe e significa sempre filho de, como Agnesi (filho de Inês)De Maria, Di Anna.

 Pan – italiano – sobrenome, neste caso, que ocorre em todo o território da península itálica, como Rossi, Bianchi, Ferrari,

 Patronímico- sobrenome derivado do nome do pai e significa sempre filho de, como Petri, (filho de Pedro) Bernardi, Di Lauro.

 Sobrenominização – processo de transformação de um nome, de um apelativo em sobrenome.

 Topônimo – denominação de locais geográficos, áreas, países pontos de referencia, como italia, lácio, montanha, lago, rio, praia, praça, paço municipal, etc.

 Tomonìmico – sobrenome derivado de um topônimo, como Pisa, Roma, lago,Dal filme, Costa, Montagna, Piazza, Della Via.

 Zoônimo – nome de animal, como leone (leão) bue (boi).

 

 Uma listagem mais complexa dos sufixos que concorrem para a formação dos sobrenomes e também para a derivação lexical no idioma italiano pode ser encontrada num boa gramática histórica. Aconselha-se a leitura da Gramatica Italiana e dei sui Dialetti de Gehrad Rohlfs de onde, salvo pequenas alterações, foi extraído o elenco apresentado acima.

 Seria demasiado longo e enfadonho exemplificar cada um destes sufixos com alguns sobrenomes em que o mesmo se faz presente. Convém observar que os sufixos constituem a mairo fonte mulplicativa dos nomes familiares italianos. Estes concorrem realmente para, acredita-se decuplicar as formas originais dos sobrenomes italianos. Os exemplos falam por si. Do antropônimo Giovanni, resultam vários hipocirístico, como foi frisado anteriormente. Tomando-se um deles, Zan ou Zane, por exemplo, obtém-sem com a sufixação, sobrenomes com Zanin, Zanini, Zanon, Zanoni, Zanette, Zanetti, Zanotti, Zanotto, Zanella, Zanello. Zanelli, Zanengo, Zanenghi, Zanet, Zanet, Zanesi, Zanessi, Zanicchi, Zaniol, Zanioli, Zaniolo. Zanol, Zanolo Zanola, Zanot, Zanus, Zanuso, Zanussi, Zanut, Zanuto, Zanutta, Zanutti, Zanoto, Zanata, Zanatta, além de Zanni, Zannini, Zannoni,

 Ata, ita, uta: Deverbal, qualidade, noção temporal.

 etc. Assim também de Domenico, pode-se lembrar Domenichini, Domenechini, Domeneghini, Menichini, Meneghin, Meneghini, Menegato, Menegatti, Meneghetti, Menegotto, etc.

 Um fato interessante na formação dos sobrenomes é a dupla sufixação, Essa ocorre suficientes para verificar este fenômeno linguístico derivativo. Tomando o mesmo sobrenome Zane ou Zani, com o acressimo do sufixo diminuitivo otto, origina-se Zanotto; se a este, for acrescido o sufixo, também diminuitivo, ello, obtém sobrenome duplamente Zanotello. O curioso neste sobrenome é a sua carga semântica que foi perdida através dos séculos. Observa-se que Zane, Zani ou Zan representam hipocorístico que surge sob o signo de forte carga afetiva, pois se formou na linguagem popular e coloquial em que a afetividade e a benquerença propriciam fixação de todo hipocorístico.

 Outro exemplo idêntico, com o memo sobrenome Zani, se verifica-se com Zanini (com o sufixo diminuitivo – ino) e em Zaninelli com o sufixo diminuitivo – ello)

 Existem, porém sobrenomes com a tripla sufixação; e não são raros. Revendo o sobrenome Zane, Zani, forma-se Zanini com um primeiro sufixo diminuitivo; deste se origina Zaninelli, com o segundo sufixo diminuitivo; acrescentando-se a este último, o sufixo- ato tem-se como resultante o sobrenome Zaninellato, triplamente sufixado. Semelhante a este é o caso de Binellato; substraindo-se o último sufixo (ato), obtém-se o sobrenome Binello, Binelli; suprimindo-se o sufixo diminuitivo –ello rsulta outro sobrenome, Bino Bini: etc...

 Bibliografia:

 Mioranza, Ciro – 1940. Filius Quondam /Ciro Mioranza – São Paulo: São João Batista Editora, 1996

Remédio para o uso externo


Remédios para o uso externo

Cataplasma e Compressas

Mistura de água, farinha ou chá das plantas ou mesmo a própria planta, picada e misturada com água, vinho ou leite. A mistura é aquecida e aplicada ainda quente sobre a região afetada.

  1. Com ervas frescas – aplica-se diretamente na parte dolorida, inchada ou machucada.
  2. Com ervas secas – frias ou quentes, aplica-se nos casos de câimbras, nevralgias, dor de ouvido etc.
  3. Em forma de pasta – colocar a mistura entre dois panos, preferencialmente de linho, ou aplicar diretamente no lugar
  4. Em forma de Compressa – São pedaços de pano, ou um pano dobrado, várias vezes, ou de algodão ou gazes embebidos em água quente ou fria que contém a substância  ativa da planta. Para isso deve-se usar suco ou chá. Nota: a compressa pode ser quente ou fria e deve ser substituída varias vezes.
                                                              
    Loção
    Acrescentar ao volume do chá o equivalente a ¼ de álcool. Isso resultará num preparado líquido para lavar a pele em casos de irritação. Algumas loções são especiais para o couro cabeludo.
    Gargarejo
    Chá por decocção de ervas medicinais com que se lava a boca, garganta, faringe, amídalas e mucosas. Serve para desinflamar e acalmar. Não deve ser engolido
    Unguento e pomada
    Trituram-se várias plantas de interesse em um pilão, moedor de carne ou liquidificador. Ao suco obtido adiciona-se, gordura vegetal de côco, amendoim ou manteiga. Leva-se ao fogo e aquece-se até derreter. Pode-se acrescentar cera de abelha para formar um unguento mais espesso. Para a confecção de pomada deve ser acrescentando cânfora para conservar.
    Azeite
    Junta-se as folhas, flores e sementes de deferentes ervas medicinais, que depois de levados e escorridos são picados e colocados soltos numa pequena garrafa ou frasco. Despeja-se azeite puro sobre as ervas até que fiquem completamente cobertas e ensopadas. Fecham-se as garrafas com rolha de cortiça, celofane ou cápsula de borracha.
    Vinhos medicinais
    Por este método as substâncias vegetais são dissolvidas por um vinho que neste caso, deve ser de pureza absoluta. Depois de limpos, picados e molhados em álcool, os vegetais  são colocados no vinho e deixados de repouso durante alguns dias, quando então, são filtrados e acondicionados em locais frescos.  Para dissolver princípios tônicos e adstringentes, usa-se o vinho tinto. Já para obter um preparado diurético, é recomendado o vinho branco.
    Bibliografia. PLANTAS MEDICINAIS. kÖRBES, Vanildo Cirilo, Irmão, Francisco Beltrão. Estudos, Orientação e Assistência Rural, 2002. 202p. PR
    Assesoar- Associação de Estudos. Orientação e Assistência Rural. Av. General-Osório 500- Telex (46) 3524-2488.  85604.240 Francisco Beltrão -PR

sexta-feira, 27 de março de 2015

Cuca Caracol


Cuca Caracol

Maria H. V

3 ovos

4 colheres de açúcar

1 xícara de leite

2 colheres de fermento de pão

1 colherinha de sal

1kg de farinha

1 xicara de nata fresca

Baunilha

1 xícara de manteiga

2 xícara de açúcar

Modo de fazer: Aqueça o leite até ficar morno, adicione o açúcar, fermento e deixe fermentar. - Depois de fermentado acrescentar os ovos, bata bem e acrescente farinha até a massa adquirir consistência, de pouco menos que a massa de pão. Sove bem esta massa e deixe fermentar. A massa deve ficar mais mole que a massa de pão.

 - Quando a massa estiver bem fermentada amasse-a um pouco e espalhe-a sobre a mesa e passe manteiga e polvilhe com açúcar (1 xícara).

 - Enrole a massa como se fosse rocambole e corte-a em pedaços.

- Unte uma forma e coloque os pedaços de massa virada para cima.

- Deixe fermentar. Depois de bem crescido leve ao forno.

- Quando a massa estiver rosada em cima, espalhe a nata misturando um xícara de açúcar. -  - -    - Leve novamente ao forno para terminar de assar.

 

terça-feira, 17 de março de 2015

Fermento de Batata Inglesa


 
Fermento de batata inglesa
Norma Corbellini Zanatta
Ingredientes
2 batatas
 2 ou 3 colheres de açúcar
½ jarra de água
Modo de fazer: Bater tudo no liquidificador e deixar crescer, colocando dento de um vidro ou jarra para crescer. A 1º vez colocar uma colher de fermento de padaria e guardar na geladeira. 2º dia prepare fermento  para fazer o pão, só que não vai mais fermento de padaria “fleschamm”, ou outra marca.
Faça à noite; Pegar a bacia e colocar o fermento que está na jarra ¼  desse fermento, mexa bem, e deixar dentro da bacia, o resto que fica na jarra, coloque 1 colher de sal, 1 copo de açúcar, farinha de trigo, mexa bem até aqui que o fermento.
De manhã deve amassar o pão. Não muito duro, coloque nas formas. Colocar uma bolinha de massa dentro de um copo de água, quando a bolinha fica em cima da água, está pronto para enfornar. Tem que que bater com os dedos na forma para sentir o barulho toc, toc, e assim ou poderá  ser colocado no forno mas deixe 5 minutos aberto para crescer.
Obs: O sal e o açúcar, deve ser colocado conforme o gosto das pessoas.
 
Fermento de pão de batata inglesa (feito à noite)
Norma Corbellini Zanatta
1º - Pegue uma bacia grande, coloque dentro da bacia uma garrafa de água.
2º - Batatas grandes batidas no liquidificador.
3º - colheres de açúcar cristal, deixar esta bacia sobre a mesa para crescer bem.
4º - A tardinha tira-se 3 dedos daquele fermento, mexendo bem, colocando dentro do vidro que será o fermento na próxima vez (semente)
Somente a primeira vez vai uma colher de fermento comprado.
Modo de fazer:
1 - O fermento deve ser preparado à noite.
2  - Pegue uma concha e mexa bem o fermento, dai coloque o fermento (semente) no vidro para colocar na geladeira, será usado na próxima vez.
3 – O resto da água do fermento  que está na bacia, adicione  1 colher de sal, 1 copo de açúcar, e o resto do fermento do pão, farinha e faça bem mole, coloque uma tampa ou toalha para cobrir a bacia.
De manhã, já está o fermento feito a noite para o dia seguinte: Amassar o pão. Amasse não muito duro, mais ou menos, mole para colocar em forma. Faça o teste. Coloque uma bolinha da massa de pão, dentro de, um copo de água, quando esse sobe está pronto para colocar no forno. Deixe a porta do forno ou fogão aberta por 5 minutos, para crescer mais, após feche até  que o pão estiver cozido.
 
Fermento de cuca feito com fermento de batata inglesa
Norm Corbellini Zanatta
O fermento deve ser dividido em 4 partes.
1 – Fermento simples, água e o açúcar, batata batida no liquidificador. Feitos á noite .
2 – De manhã ao levantar renovar o fermento feito a noite com 2 batatas, ½ jarra de água, colocar farinha pouca farinha de trigo e deixar crescer até ao meio dia, à tarde depois do almoço amassar a cuca bem dura quase igual ao pão, um pouco mais mole.
À tarde perto da noite passar no cilindro 25 vezes, colocando nas formas, deixar a massa até o dia seguinte crescer, quando crescer ascenda o forno para cozinhar.  Colocar enfeites e cozinhar por 45 min.   Passar café  preto doce e depois farofa.
Coloque quentinho no frízer, e quando vai ser consumido tire do frízer, a cuca fica  como se tivesse tirado do forno.
 
Massa da cuca
8 colheres de sopa de banha derretida
3 ou 4 ovos
Sal 1 colher rasa
Nosnoscada ralada
Funcho, canela em pó
½ garrafa de água fervida
Funcho fervido somente a água
8 colheres de açúcar
3 colheres de fermento de batata
½ garrafa de Funcho fervido e coado.
Modo de fazer: faça igual a receita anterior

segunda-feira, 2 de março de 2015

Fió uma experiência de paraíso


Filó uma experiência de paraíso

                     Frei Rovílio Costa

 

Nas noite longas de inverno

fiavas vida e sustento:

pungir de um Vêneto eterno

no canto fundo do vento!

(Itálico Marcon, Porto alegre, amanhecer de 26/07/1971)

               O contadino (agricultor), durante os meses de inverno, tinha que permanecer em casa, pois não havia condições de trabalhar na lavoura. Se não  houvesse um trabalho doméstico, a vida se desenrolaria num constante e, por vezes monótono filó. As mulheres tinham o tempo ocupado em preparar refeições, costurar bordar, tricotar, fiar. Os homens também fiavam. A ordenha, para quem tinha vacas leiteiras, o fabrico do queijo, manteiga, requeijão era outra atividade envolvente. Mas a maior pare do tempo era livre. Surgiram, assim, os famosos contadores de histórias, especialmente às crianças para entretê-las. Uma atividade das mães era ensinar os filhos pequenos a decorar o catecismo e muitas orações ensinadas pelos mais velhos e que passaram de geração em geração.

               A palavra filó significa, na Itália, o conjunto de trabalhos manuais que podiam ser executados em casa, no período de inverno. Uma boa atividade era o encontro entre vizinhos. Uma família visitava outra e vice-versa.

               Para quem não tivesse o aconchego dos animais, na estrebaria, anexa à casa, o aquecimento  doméstico tinha que ser feito à base de lenha.

               Impossível seria enfrentar o inverno rigoroso, de muits graus abaixo de zero, sem o aquecimento pelo fogo doméstico.

               Mas escassa era a  lenha e hoje ainda o é nas pequenas borgatas onde ainda não chegou o aquecimento domiciliar. Que fazem, hoje, nessas localidades, as pessoas idosas, os aposentados que ficam em casa  sem o que fazer?  Para economizar lenha, costumavam reunir-se anciões de duas ou três famílias, um dia nesta outro dia naquela casa, até o anoitecer, para assim, queimar lenha numa só casa. À noite, retornando, acendem o fogo para preparar os alimentos e aquecer o ambiente. Em La Valle Agordina “Belluno” em 1984, visitamos um grupo de anciãos de três diferentes famílias, reunidos numa mesma casa, ao redor do fogo, num rigoroso inverno janeiro. As mulheres faziam diferentes costuras e os homens se ocupavam   contando histórias.

               Em nossas colônias não tivemos problemas do frio. Mas o filó passou a ser uma tradição ou uma atividade da noite, ou do anoitecer. Depois de escurecer não dá para trabalhar na lavoura, sentão prepara-se a comida, fica-se conversando, rememora-se o dia passado, os pais aproveitam para uma conversa pedagógica com os filhos e a harmonia se torna completa quando, finda a janta, todos, de joelhos, desfiam as contas do rosário, rezando o terço, agradecendo a Deus pela vida, saúde, colheitas, pedindo a libertação das inteperies e pragas e rezando pelos doentes, pelos falecidos...

               Na colônia, quando se determinava fazer filó em alguma família, juntava-se em casa, procurando chegar umas duas horas antes do horário dessa família ir dormir. Tinha-se o cuidado de chegar na família depois que já tivesse jantado. Aí se ajudava a lavar a louça, se o estivessem fazendo, senão se rezava juntos o terço, se o estiva alguém doente, era costume estivessem rezando. E seguia-se o filó...

               Se houvesse alguém doente, era costume visitar também no horário do filó, mais com visita mais breve e com outro ritual. Chegava-se, visitava-se o doente, ficava-se em filó com os familiares em tempo mais breve. Ao final, se o doente não estivesse dormindo, fazia-se a despedida. O filó era com os familiares, sempre da maneia que não perturbasse o repouso do doente.

               Quando, porém, alguém estava em estado grave de saúde, que demandava a presença de alguém, noite e dia, aí estavam os vizinhos, em rodízio, sobretudo à noite, para auxiliar nesses momentos difíceis.

               O filó era, pois, um momento de harmonia da família com sigo mesma, da família com Deus através da oração, e da família com os vizinhos através de encontros periódicos, ditados pelo bom-senso e pelo nível de amizade entre famílias de costume e tradições próprias. Hoje ainda, festeiros de capelas, presidentes ou distribuir encargos entre associações, quando precisam combinar atividades ou distribuir encargos entre associados, vão fazer filó à noite, e passam a limpo a situação da entidade ou instituição que dirigem.

               Os filós eram momentos privilegiados para a crianças que podiam encontrar-se e brincar  juntas; para os jovens que se instruíam pela conversa dos adultos e também tinham oportunidade de encontro com o bem-amado ou bem-amada; e com os adultos que descorriam sobre as culturas, preços, negócios, a troca de sementes o empréstimo de animais reprodutores, troca de jornadas em tarefas especiais, a necessidade de auxiliar alguma família que necessitava de mão-de-obra, por ter alguém doente. Enfim, o filó era, acima de tudo, uma grande escola de valores humanos e cristãos, de educação para sociabilidade e cidadania.

               A dureza de um dia de trabalho não terminava na subjugação pelo cansaço, mas na harmonia do encontro. Famílias que não se visitassem em filós, eram famílias mal relacionadas.

               O filó era também oportunidade de convidar os vizinhos, por ocasião da safra de pinhão, batata, amendoim, laranjas, nêsperas, pêras... Oportunidade em que se aproveitava o bom vinho caseiro. A sensibilidade sugeria que se convidadesse os vizinhos que não haviam produzido tal e qual produto para compartilhar com eles.

               As épocas de safras, eram oportunidades para convidar os amigos ao filó. Ao tempo da uva, convidava-se alguém que ainda não tinha parreiral, para comer uva e beber o vinho doce. O amendoim, o pinhão, a batata, os crostóli, o vinho, a graspa, o café, as bolachas caseiras, eram comes e bebes corriqueiros nos filós.

               Poder-se-ia citar muitos elementos do filó. Mas, o mais importante é aquele filó não esporádico, mas que acontecia todas as noites na casa de cada colono. O encontro da família, preparando-se para a janta, jantando, lavando a louça, fazendo trança, dobrando palha de milho para cigarros, limpando a casa... em meio a uma conversa panorâmica do dia vivido. A família transformava-se em antecâmara do paraíso quando, no final de tudo, jovens, velhos e crianças se ajoelhavam e rezavam conforme o costume de cada família. Crianças adormeciam sobre os bancos e tinham que ser levados à cama no colo, jovens também pegavam no sono e vinha um sacudão dos pais para acordá-los e reagir ao sono porque precisavam rezar. Ia-se à cama abençoado por Deus, com a esperança de levantar disposto e feliz para um novo dia de trabalho que terminaria com um novo dia de paraíso, com a mesma oração noturna, mas cada dia com motivações e intenções diferentes.

               O trabalho era o sinal do progresso, os frutos do trabalho eram sinal da bênção de Deus. Mas a refeição com todos juntos, com alegria e saúde era sinal da vida, da saúde e do amor entre pais e filhos, e a oração era o grande sinal do paraíso. O filó era, pois, a grande síntese da vida do homem em família, em vizinhança e em relação com Deus.

Bibliografia:

 Nós os Itálicos Gaúchos: Mário Maestri..,{et al.} . – Porto Alegre, Ed Universidade /UFRGS. 1996.

Orações diárias


Preghiera de la note

                    Gema Frossa

Vago in leto

Con me angel perfecto

So ndare e no so de levare

Ter gracie li voglio domandare

Confessione, comunnione e olie santi

 

Preghiera de la matina

Madona pecinina

Leva su da matina

Primo far e primo dir

Su la pietra de laqua santa

Banhar-se bem el viso

Para ndar el paradiso

 

Padre Nostro

Padre nostro, che sei nei cieli,sai santificato il tuo nome, venga il tuo regno, sai fatta la tua volontá, come in cielo così in terra. Dacci oggi il nostro pane quatidiano, e rimetti a noi i nostri debiti, come noi li rimettiamo ai nostri debitori, e non ci indurre in tentazione, ma liberaci dal male. Amen.

Ave Maria

Ave, o Maria, piena de grazia, il Signore è con te. Tu sei benedetta fra le donne e benedetto è il frutto del tuo seno, Gesù. Santa Maria, Madre di Dio, prega per noi peccatorri, adesso e nell” ora dela mostra morte. Amen.

Gloria Al Padre

Gloria al Pdre, al Figlio e allo Spirito Santo. Com’ era in principio e ora e sempre nei secoli dei secoli. Amen.

Credo

Io credo in Dio, Padre Onnipontente, Creatore del cielo e dela terra e in Gesù Cristo, suo único Figlio nostro Signore, il quale fu concepito di Spirito Santo, nacque da Maria Vergine Santo, nacque da Maria Vergine, patì sotto Ponzio Pilato, fu crocefisso, morì e fu sepolto e il terzo giorno rissuscitò da morte, salì al cielo, siede ala destra di dio Padre Onnipotente, di la verrà a giudicare i vivi e i morti. Credo nello Spirito Santo, nella santa Chiesa Cattolica, la comunione dei santi, la remissione dei peccati, la risurrezione dela carne, la vita eterna. Amen.

Salve Regina

Salve, o regina, madre di misericórdia; vita, dolcezza e speranza mostra, salve. A te recorriamo, noi esuli figli di Eva: a te sospiriamo gementi e piangenti in questa valle di lacrime. Orsù dunque, avvocata mostra rivolgi a noit quegli occhi tuoi misericordiosi. E mostraci dopo questo esilio Gesú, il fruto benedetto del tuo seno. O clemente, o pia, o dolce Vergine Maria.

Bibliografia

Humilitas. Orações Comunitárias das Irmãs Missionárias de são Carlos Borromeu. Ed Berthier