sexta-feira, 24 de abril de 2015

Memórias de Valdir Fiorini


                                        Cemitério da Mortandade

                                                                                      Valdir Fiorini

Há muitos anos atrás (150 -200 anos) vieram de Soledade, caçadores para caçar bichos de pena e de pelo, pois, ali tinha muita água e matas para caçar. Os caçadores vieram de soledade e fizeram um acampamento e largaram os cavalos, para descansar e passar a noite, e continuar caçando durante o dia.  Para se proteger e fizeram comida fizeram fogo, isto fez uma fumaça, que alertou os índios do cerro do sapato, fica longe 5 ou 6 km, perto de São Sebastião e divisa com  São João. Os índios perceberam que havia gente, embrenhara-se pelo meio das matas e foram até a localidade de São Jorge durante a noite e atacaram os caçadores, matando-os,  apenas um consegui fugir, e voltando  para Soledade, para avisou  os familiares e  outros companheiros que retornaram para realizar o sepultamento dos caçadores mortos. Naquela época demorava-se de 3 a 4 dias de viagem, ida e volta uma semana.  Certamente encontram os mortos já em estado adiantado de putrefação e também devorados pelos animais. Assim, realizam o sepultamento desses caçadores dando início do cemitério da mortandade.

 

História do Homem de Branco

Valdir Fioreini

O Fernando Fiorini, tinha 8 filhos, e possuía duas propriedade. Ele mandava os filhos trabalhar, fazer os roçados, para acostumar os filhos a trabalharem. Certo dia o Valdir andava a cavalo recorrendo o gado e encontrou um compadre seu Antônio Vaz dos Santos, e o saudou. Continuando a caminhada ele viu uma cobra muito grande desceu do cavalo e matou a cobra com a chicote. Ao retornar, passou novamente perto da casa de Antônio que disse para o Valdir que tinha um homem de branco falando com o Ele. O Valdir disse que não e os dois quase brigaram. O Valdir disse que tinha matado uma cobra muito grande, e montou no seu cavalo e foi embora para não brigar. Mas essa foi a idéia que o Antônio sempre cultivou, e nunca deixou de afirmar isso enquanto o Valdir nunca viu coisa alguma a não ser aquela cobra que ele matou. Enquanto o Antônio jurava que viu o Valdir falando com um homem de branco.

 

Mulher enforcada

Guilhermina Haas

Antigamente há 100 anos atrás, um casal de agricultores malhava feijão para o consumo próprio, colhido em sua lavoura. Lá pelas certas horas chegou um retratista pedindo se não queriam tirar um retrato. O homem não quis devido o estado que se encontrava. Mas assim mesmo a mulher insistia em tirar o retrato. O homem negou-se totalmente e assim despediu-se do retratista, dizendo que era impossível tirar o retrato aquele dia, e assim o retratista foi embora, partindo em busca de outros clientes. Terminada a bateção de feijão o marido disse para a mulher, vai em frente, que eu vou terminar de limpar o produto e já vou para casa também. Assim, mulher seguiu para a sua casa. O marido ficou limpando o feijão e guardando os instrumentos de trabalho, e dentro de pouco tempo recolheu o produto e voltou para casa. No caminho qual foi sua surpresa, encontrou  a sua esposa enforcada num pé de figueira. Motivos, talvez seja a grande descepção  de não ser fotografada.

 

Boi tatá

Guilhermina Haas

Dois fulanos estavam conversando e lá pelas tantas ouviram um barulho Uau, Uau, um disse para o outro. Não imite esse som, porque atraí o boi tatá, mas o outro não deu importância, e o continuou a imitá-lo. E assim o som cada vez estava mais próximo. Até que o bichão chegou bem perto e disse: estou com fome, quero comida, e assim começou a dar de comida, ele sempre dizia estou com fome, e nada que chegasse. Depois pediu comida novamente, e terminada, estraçalho os cachorros e os  devorou.  Por fim o boi tatá agarrou o homem e o esmagou arrancando as tripas e comendo e estraçalhando as carnes. O outro companheiro quando viu aquela situação saiu correndo apavorado e subiu numa árvore bem alta e ficou a noite inteira empoleirado. No dia seguinte ele desceu da árvore e enrolou-se nas tripas do homem morto, que continuavam a repetir.  Estou com fome, estou com fome...

 

Edumundo Haas .....

 

 

Perau da cabrita.....

 

São José do Herval – burro morto

 Inicialmente, São José do Herval chamava-se "Burro Morto", devido ao fato de ter sido um local onde foram acolhidas várias tropas de mulas, que faziam do lugar um paradouro. Esta paragem recebia o trânsito de carruagens que iam de Lajeado a Soledade e lá pernoitavam. Com o passar dos anos, a comunidade se caracterizava por uma devoção a São José. Também era típico da região o cultivo da erva-mate. A localidade passou a chamar-se São José do Herval, nome esse que popularizou-se e perdura até nossos dias. Em 1880 começaram a agrupar-se famílias de imigrantes italianos na localidade e muitas delas serviam de guardadores das carruagens em trânsito. Logo de início, as famílias se fixaram e iniciaram o cultivo da terra, salientando-se plantio da erva-mate. Em 1929, surge a primeira Capela em São José do Herval, cujo primeiro religioso a dar assistência aos fiéis foi o Frei Clemente, de Nova Bassano. Em 1940, foi iniciada a construção da casa canônica, concluída em 1944. São José do Herval tem sua população constituída em 60% por imigrantes italianos; 20% por descendentes de portugueses; 10% por alemães e 10% por indígenas e africanos. Recentemente, vendo que alguns Distritos vizinhos estavam articulando sua emancipação, surgiu a idéia de fazer de São José do Herval também um Município. Inicialmente foram feitos contatos entre lideranças locais, e, em seguida foi convocada uma reunião para confirmar o desejo da comunidade. Algumas dificuldades foram encontradas no que diz respeito a demarcação de área no novo Município. Mas esses problemas foram solucionados e a idéia se concretizou, liderados pela Comissão Emancipacionista e apoiados por toda a comunidade. Em 10 de abril de 1988, São José do Herval realizou seu plebiscito, obtendo a vitória do "SIM", fato esse que comprova a unidade do Município e aponta o caminho para essa nova luta.

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